Machado de Assis

poesia Ícaro

Ícaro

Que queres tu que eu te peça? Um olhar que não consola? Podes guardar essa esmola Para quem ta for pedir, A um olhar de volúpia Que ensina discreto espelho Queres que eu curve o joelho, E quebre todo um porvir? É audaz o pensamento. Não vês que um olhar é pouco? Eu fora cobarde …

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poesia Soneto Circular

Soneto Circular

A bela dama ruiva e descansada, De olhos longos, macios e perdidos, C’um dos dedos calçados e compridos Marca a recente página fechada. Cuidei que, assim pensando, assim colada Da fina tela aos flóridos tecidos, Totalmente calados os sentidos, Nada diria, totalmente nada. Mas, eis da tela se despega e anda, E diz-me: — “Horácio, …

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poesia A Augusta

A Augusta

Em teu caminho tropeçaste — agora! Cala esse pranto, minha pobre flor. Caída mesmo — tropeçando embora, Conserva a alma um último pudor. Deve ser grande esse martírio lento… Já nos espinhos a minha alma pus; Sou como um Cireneu do sofrimento; Deixa-me ao menos carregar-te a cruz. Eu sei medir as lágrimas vertidas Na …

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poesia Condão

Condão

Uns olhos me enfeitiçaram, Uns olhos… foram os teus. Falaram tanto de amores Embebidos sobre os meus! Eram anjos que dormiam Dessas pálpebras à flor Nas convulsões palpitantes Dos alvos sonhos de amor. Foi à noite… hora das fadas; Bem lhes sentira o condão; Mas refletiam tão puras Os sonhos do coração! Como ao sol …

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poesia Reflexo

Reflexo

Olha: vem sobre os olhos Tua imagem contemplar, Como as madonas do céu Vão refletir-se no mar Pelas noites de verão Ao transparente luar! Olha e crê que a mesma imagem Com mais ardente expressão Como as madonas no mar Pelas noites de verão, Vão refletir-se bem fundo, Bem fundo — no coração!

poesia Álvares D'Azevedo

Álvares D’Azevedo

Morrer, de vida transbordando ainda, Como uma flor que ardente calma abrasa! Águia sublime das canções eternas: Quem no teu vôo espedaçou-te a asa? Quem nessa fronte que animava o gênio, A rosa desfolhou da vida tua? Onde o teu vulto gigantesco? Apenas Resta uma ossada solitária e nua! E contudo essa vida era abundante! …

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poesia Vai-te de Machado de Assis

Vai-te

Por que voltaste? Esquecidos Meus sonhos, e meus amores Frios, pálidos morreram Em meu peito. Aquelas flores Da grinalda da ventura Tão de lágrimas regada, Nesta fronte apaixonada Cingida por tua mão, Secaram, mortas estão. Pobre pálida grinalda! Faltou-lhe um orvalho eterno De teu belo coração. Foi de curta duração Teu amor: não compreendeste Quanto …

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poesia o sofá

O Sofá

Oh! Como é suave os olhos Sentir de gozo cerrar, Sobre um sofá reclinado Lindos sonhos a sonhar, Sentindo de uns lábios d’anjo Um medroso murmurar! Um sofá! Mais belo símbolo Da preguiça outro não há… Ai, que belas entrevistas Não se dão sobre um sofá, E que de beijos ardentes Muita boca aí não …

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poesia minha mãe

Minha Mãe

Quem foi que o berço me embalou da infância Entre as doçuras que do empíreo vêm? E nos beijos de célica fragrância Velou meu puro sono? Minha mãe! Se devo ter no peito uma lembrança É dela que os meus sonhos de criança Dourou: — é minha mãe! Quem foi que no entoar canções mimosas …

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poesia de Machado de Assis Cognac

Cognac

Vem, meu Cognac, meu licor d’amores!… É longo o sono teu dentro do frasco; Do teu ardor a inspiração brotando O cérebro incendeia!… Da vida a insipidez gostoso adoças; Mais val um trago teu que mil grandezas; Suave distração — da vida esmalte, Quem há que te não ame? Tomado com o café em fresca …

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poesia minha musa

Minha Musa

A Musa, que inspira meus tímidos cantos, É doce e risonha, se amor lhe sorri; É grave e saudosa, se brotam-lhe os prantos. Saudades carpindo, que sinto por ti. A Musa, que inspira-me os versos nascidos De mágoas que sinto no peito a pungir, Sufoca-me os tristes e longos gemidos, Que as dores que oculto …

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poesia um anjo Machado de Assis

Um Anjo

Foste a rosa desfolhada Na urna da eternidade, Pr’a sorrir mais animada, Mais bela, mais perfumada Lá na etérea imensidade. Rasgaste o manto da vida, E anjo subiste ao céu Como a flor enlanguecida Que o vento pô-la caída E pouco a pouco morreu! Tu’alma foi um perfume Erguido ao sólio divino; Levada ao celeste …

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poesia Teu Canto

Teu Canto

Você é tão sublime Qual rosa entre as flores De odores Suaves; Sua música é sonora Que excede o encanto Da música Dos pássaros. Eu sinto nest’alma, Num meigo transporte, Meu forte Dulçor; Se soltas teu canto Que o peito me abala, Que fala De amor. Se soltas as vozes Que podem à calma, Minh’alma …

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Poesia de Machado de Assis - Ela

Ela

Nunca vi, — não sei se existe Uma deidade tão bela, Que tenha uns olhos brilhantes Como são os olhos dela! F. G. BRAGA Seus olhos que brilham tanto, Que prendem tão doce encanto, Que prendem um casto amor Onde com rara beleza, Se esmerou a natureza Com meiguice e com primor. Suas faces purpurinas …

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poesia A Palmeira

A Palmeira

Como é linda e verdejante Esta palmeira gigante Que se eleva sobre o monte! Como seus galhos frondosos S’elevam tão majestosos Quase a tocar no horizonte! Ó palmeira, eu te saúdo, Ó tronco valente e mudo, Da natureza expressão! Aqui te venho ofertar Triste canto, que soltar Vai meu triste coração. Sim, bem triste, que …

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William Shakespeare: Soneto 9 – “O mundo te lamentará” William Shakespeare: Soneto 14 – “adivinhar o azar ou a sorte” William Shakespeare: Soneto 13 – “Contra o vento impiedoso” William Shakespeare: Soneto 12 – “a noite medonha vem naufragar” William Shakespeare: Soneto 11 – “deixares a juventude” William Shakespeare: Soneto 10 – “Envergonha-te” William Shakespeare: Soneto – “Por que ama o que não recebe?” William Shakespeare: a morte do sol e do homem William Shakespeare: Adoça teus sumos; orna um lugar William Shakespeare: injustiça que justamente se excede