Machado de Assis

poesia CONSUMMATUM EST

CONSUMMATUM EST!

I Na treva sombria de sacra tristeza, Gemendo se envolvem a terra e os céus, E a alma do crente num cântico acesa, Revolve na idéia, suplício de um Deus. Recorda a cidade que outrora folgando Sorria descrente de um Deus à paixão, E hoje proscrita lá dorme escutando Do Eterno a palavra que diz: …

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poesia o meu viver

O Meu Viver

Chama-se a vida a um martírio certo Em que a alma vive se morrer não pode, É crer que há vida p’ra o arbusto seco, Que as folhas todas para o chão sacode. Dizer que eu vivo… e minha mãe perdi, Minha alma geme e o coração de amores, É crer que um filho, sem …

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poesia Dormir no Campo

Dormir no Campo

Ao terno suspirar do arroio brando, Quanto é belo o repouso em campo ameno! Em noite de verão, que a brisa geme, Em noite em que o luar brilha sereno! Acorda-se alta noite: no silêncio Envolta jaz a terra adormecida; Verseja-se um minuto, à noite, à lua, E torna-se a dormir… Que bela vida! Se …

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poesia o Pão D' Açúcar

O Pão D’Açucar

  Salve, altivo gigante, mais forte Que do tempo o cruel bafejar, Que avançado campeias nos mares, Seus rugidos calado a escutar. Quando Febo ao nascente aparece Revestido de gala e de luz, Com seus raios te inunda, te beija, Em tua fronte brilhante reluz. Sempre quedo, com a fronte inclinada, Acoberto dum véu denegrido; …

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poesia O Profeta (Fragmento)

O Profeta (Fragmento)

Do sacro templo, sobre as negras ruínas lá medita o profeta Com fatídica voz, dizendo aos povos Os decretos de um Deus; Ao rápido luzir do raio imenso Traçando as predições. Dos soltos furacões, libertas asas Adejam sobre a terra: Do sacro templo em denegridos muros Horríssono gemendo Lá fende o seio de pesadas nuvens …

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poesia o gênio Adormecido

O Gênio Adormecido

Do Grego Vate expande-se a harmonia Em teus sonoros carmes! Na harpa d’ouro Do sacro Apollo, Trovador, dedilhas Doces cantos que o espírito arrebata Ao recinto celeste! Em cit’ra de marfim, com fios d’ouro Cantaste infante, para que mais tarde A fama ativa as tubas embocando Com voz imensa proclamasse aos mundos Um gênio americano! …

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poesia A Uma Menina

A Uma Menina

Desabrochas ainda; tu és bela Como a flor do jardim; És doce, és inocente, como é doce Divino Querubim. Nas gotas da pureza inda se anima A tu’alma infantil; Não te nutre inda o peito da malícia Mortífero reptil. Quando sorris trasbordam de teus lábios As gotas d’inocência; No teu sorriso se traduz o encanto …

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poesia Paródia

Paródia

Se eu fora poeta de um estro abrasado Quisera teu lindo semblante cantar; Gemer eu quisera bem junto a teu lado, Se eu fora uma onda serena do mar; Se eu fora uma rosa de prado relvoso, Quisera essa coma, meu anjo, adornar; Se eu fora um anjinho de rosto formoso Contigo quisera no espaço …

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poesia Um Sorriso

Um Sorriso

Não sabes, virgem mimosa, Quanto sinto dentro d’alma Quando sorris tão formosa Sorriso que traz-me a calma: Brando sorriso d’amores Que se desliza entre as flores De teus lábios tão formosos; Doce sorriso que afaga Do peito a profunda chaga De tormentos dolorosos. Quando o diviso amoroso Por sobre as rosas vivaces Torno-me louco, ansioso, …

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poesia Meu Anjo

Meu Anjo

És um anjo d’amor — um livro d’ouro, Onde leio o meu fado És estrela brilhante do horizonte Do Bardo enamorado Foste tu que me deste a doce lira Onde amores descanto Foste tu que inspiraste ao pobre vate D’amor festivo canto; É sempre nos teus cantos sonorosos Que eu bebo inspiração; Risos, gostos, delícias …

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Júlia

Teu rosto meigo e singelo Tem do Céu terno bafejo. Tu és a rosa do prado Desabrochando ao albor Abrindo o purpúreo seio, Abrindo os cofres de amor. Tu és a formosa lua Percorrendo o azul dos céus, Retratando sobre a linfa. Os seus alvacentos véus. Tu és a aurora formosa Quando dalém vem surgindo; …

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poesia a saudade

A Saudade

Meiga saudade! — Amargos pensamentos A mente assaltam de valor exausta, Ao ver as roxas folhas delicadas Que singelas te adornam. Mimosa flor do campo, eu te saúdo; Quanto és bela sem seres perfumada! Que te inveja o jasmim, a rosa e o lírio Com todo o seu perfume? Repousa linda flor, num peito f …

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poesia A Francisca

A Francisca

Nunca faltaram aos poetas (quando Poetas são de veia e de arte pura), Para cantar a doce formosura, Rima canora, verso meigo e brando. Mas eu triste poeta miserando, Só tenho áspero verso e rima dura; Em vão minh’alma sôfrega procura Aqueles sons que outrora achava em bando. Assim, gentil Francisca delicada, Não achando uma …

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William Shakespeare: Soneto 9 – “O mundo te lamentará” William Shakespeare: Soneto 14 – “adivinhar o azar ou a sorte” William Shakespeare: Soneto 13 – “Contra o vento impiedoso” William Shakespeare: Soneto 12 – “a noite medonha vem naufragar” William Shakespeare: Soneto 11 – “deixares a juventude” William Shakespeare: Soneto 10 – “Envergonha-te” William Shakespeare: Soneto – “Por que ama o que não recebe?” William Shakespeare: a morte do sol e do homem William Shakespeare: Adoça teus sumos; orna um lugar William Shakespeare: injustiça que justamente se excede