O Profeta (Fragmento)

poesia O Profeta (Fragmento)

Do sacro templo, sobre as negras ruínas
lá medita o profeta
Com fatídica voz, dizendo aos povos
Os decretos de um Deus;
Ao rápido luzir do raio imenso
Traçando as predições.
Dos soltos furacões, libertas asas
Adejam sobre a terra:
Do sacro templo em denegridos muros
Horríssono gemendo
Lá fende o seio de pesadas nuvens
O fulminoso raio
Sinistro brilho, que o terror infunde.
Que negro e horrível quadro!
Propínquo esboço da infernal morada!…
………………………………………………….
E o profeta ergue a fronte, a fronte altiva
Cheio de inspiração, de vida cheio;
Revolvem-se na mente escandescida
Inspiradas idéias que Deus cria
Nesse cofre que encerra arcanos sacros;
Revolvem-se as idéias, pensamentos
Que num lampejo abrangem as idades
Rápidas aglomeradas
Nesse abismo que os séculos encerra!
Profeta, em que meditas,
espírito de Deus que te revela?
Um novo cataclismo
Que a terra inunde e a humanidade espante?
De guerras sanguinosas longa série?
A desgraça talvez dum povo inteiro?
Enviado de Deus, conta-me os sonhos
Que te revelam do futuro as sortes
Quando absorto em sacros pensamentos
A fronte reclinando tu dormitas
Essas visões que à hora do silêncio
Quando reina o pavor, e as trevas reinam
Os céus ensaiam qu’o porvir revelam:
E quando é bela a noite, quando brilha
A prateada lua
Lâmpada argêntea, que alumia as trevas
Quando fulguram meigos
Formosos, belos astros, que semelham
Longa série de luzes
Que a lousa aclaram do sepulcro imenso:
O que te inspira o céu?
………………………………………………
Já sossega a tormenta; — refreados
jazem mudos os ventos; só a brisa
Plácida expele as condensadas nuvens;
Envolta em negro véu lá brilha acaso
Medrosa estrela que sorri medrosa:
‘Stá muda a atmosfera! Lá se ergue
De súbito o profeta, (sacra gota
Na mente lhe verteu do Eterno a destra),
Do Supremo Arquiteto o mando grava
No extenso muro do arruinado templo!…

…ungido crente,
Alma de fogo, na mundana argila.
M. A. A. AZEVEDO

William Shakespeare: Soneto 9 – “O mundo te lamentará” William Shakespeare: Soneto 14 – “adivinhar o azar ou a sorte” William Shakespeare: Soneto 13 – “Contra o vento impiedoso” William Shakespeare: Soneto 12 – “a noite medonha vem naufragar” William Shakespeare: Soneto 11 – “deixares a juventude” William Shakespeare: Soneto 10 – “Envergonha-te” William Shakespeare: Soneto – “Por que ama o que não recebe?” William Shakespeare: a morte do sol e do homem William Shakespeare: Adoça teus sumos; orna um lugar William Shakespeare: injustiça que justamente se excede