O Pão D’Açucar

 

poesia o Pão D' Açúcar

Salve, altivo gigante, mais forte
Que do tempo o cruel bafejar,
Que avançado campeias nos mares,
Seus rugidos calado a escutar.

Quando Febo ao nascente aparece
Revestido de gala e de luz,
Com seus raios te inunda, te beija,
Em tua fronte brilhante reluz.

Sempre quedo, com a fronte inclinada,
Acoberto dum véu denegrido;
Tu pareces gigante que dorme
Sobre as águas do mar esquecido.

És um rei, sobranceiro ao oceano,
Parda névoa te cobre essa fronte,
Quando as nuvens baixando em ti pairam
Matizadas do sol no horizonte.

Fez-te o Eterno surgir d’entre os mares
C’uma frase somente, c’um grito
Pos-te à fronte gentil majestade,
Negra fronte de duro granito.

Ruge o mar, a procela te açoita,
Feros ventos te açoitam rugindo;
O trovão lá rebrama furioso,
E impassível tu ficas sorrindo.

E da foice do tempo se solta
Sopro fero de breve eversão,
Quer feroz te roubar para sempre;
Tu sorris, qual sorris ao trovão.

Salve, altivo gigante, mais forte
Que do tempo o cruel bafejar,
Que avançado campeias nos mares,
Seus rugidos calado a escutar.

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