À Madame, Arsène Charton Demeur

poesia à Madame, Arsène Charton Demeur

Heroína da cena, que entre as flores
Que a senda esmaltam da carreira d’arte
Em que orgulhosa pisas, ostentando
A fronte além das sombras que forcejam

Debalde por calcar teu nome e glória,
Colhes coroas mil com que te adornas
Benévola me escuta. Eu sou bem fraco,
Mas poeta me creio, se o teu nome
Na lira acordo que meu peito exalta.
Que val o templo, se lhe falta o nume?
Não nos fujas daqui, Charton divina!
Deserto fica o majestoso alcáçar
Que Verdi exalta com florões de glória!
Deserta a cena onde pisaste, ornando
A fronte altiva de lauréis, de flores,
Em face a um povo que aplaudindo o gênio
Com palmas estrondosas, te há mostrado

Quanto estima o talento, quanto te ama!
Deserto o nosso espírito de gozos,
Suaves sensações que o ser enleva;
Da tua bela voz ermo de influxos,
Repercutindo apenas dentro d’alma
Os ecos do teu canto sonoroso,
A cada som pungindo uma saudade!
Oh sol que o céu das artes iluminas,
É cedo o ocaso teu na nossa terra!
Um dia mais, um dia mais de enlevos:
Fica, Charton — contigo a luz gozamos;
Sem ti — sombria treva a cena envolve!

Anjo de Melodias, quem soubera
Imitar de teu peito — harpa celeste –
O meigo som, para louvar num hino,
‘Teu canto que tu mesma hás já louvado!
Quem me dera, Charton, sentir na mente
De Alfredo de Musset o gênio em chamas
De imenso ardor, para com voz altiva
Levantar-te um padrão, mais duradouro
Que o mármor ou que o bronze, que lembrasse
Junto do nome teu meu nome obscuro!
Mas não posso obter do austero fado
Glória maior que admirar-te o gênio
Num pobre canto, que o teu canto inspira!
Musa gentil dos versos que ora teço,
Quando longe de nós, lá noutro palco,
Traduzindo as de Verdi obras sublimes,
Outros mortais que anelam ver teu rosto
E ouvir teu canto cheio de harmonias,
Com meiga e doce voz extasiares,
Recorda o canto meu, — recorda o vate
Que mais que todos te admira o canto,
Talento e garbo que ostentas na cena!
……………………………………………………
Não mais minh’arpa! — Inda uma vez te peço,
Não nos fujas daqui, Charton divina!
Inda uma vez de teu talento o brilho
Esparge sobre nós, que eu te asseguro
Não nos falece o santo entusiasmo
Com que já te acolhemos!
Grande eterno,
Refulge o nume no altar da glória.
Grande é Stoltz, mas Stoltzs há muitas;
Charton só uma, que no mundo impera!

Palavras de Machado de Assis que fez Pessoas Refletirem Hans Staden quase foi devorado vivo em Ubatuba Machado de Assis faz chorar com essa Poesia Essa é a melhor poesia de Machado de Assis William Shakespeare: Soneto 9 – “O mundo te lamentará” William Shakespeare: Soneto 14 – “adivinhar o azar ou a sorte” William Shakespeare: Soneto 13 – “Contra o vento impiedoso” William Shakespeare: Soneto 12 – “a noite medonha vem naufragar” William Shakespeare: Soneto 11 – “deixares a juventude” William Shakespeare: Soneto 10 – “Envergonha-te”